Esse Paulista Viaja – parte II ou; Pra que ir pro Pará ?

set 5, 2014

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Categoria(s): Blog, Desenho, Foto, Política, Texto, Viagem

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Viajar é um ótimo jeito de reduzir o fluxo de “problemas ” criados pela nossa mente. Esse tal fluxo é, para mim, o maior stress da vida na cidade grande, muito mais que o trânsito ou todas as violências Datenescas. Adoro resorts com coquetéis coloridos e guarda chuvinhas. Praia não é muito minha praia. Prefiro a montanha, sem areia nem mosquitos. Esse tipo de férias é gostosinho coisa e tal, mas volto à cidade e, dois dias depois, parece que nunca a deixei. São as Férias Frontal.

Por isso, o tipo de viagem que sempre procuro é aquela que me tira da zona de conforto, me confronta com gente diferente e me força a mudar o pensamento, para quando voltar à Paulicéia, continuar com a sensação de que algo aconteceu. Foi pensando nisso que criei, junto com amigos, o projeto Task Force Capitais.

Tal projeto consiste em visitar TODAS as capitais do Brasil. É ótimo porque mediante um feriado onde acabaria aceitando o convite para ir à uma praia logo ali ( e virar comida à milanesa de mosquitos ), viajo à alguma cidade na qual nunca pisaria. Não raro, tenho gratas surpresas, além de quaisquer expectativas,  como foi o caso da mais recém visitada capital da minha lista: Belém do Pará

Orla BelémRascunho a jato da orla de Belém, a partir de um viagem de barco pela Baía do Guajará

Pousei em Belém à noite, o que foi papelão. Uma amiga que pousou de dia falou que o cenário é foderoso. Fica a dica.

No caminho do aeroporto ao centro, tive aquela sensação de ter percorrido 2500 quilômetros para chegar à Itapevi. Arredores de aeroporto é sempre méh…eu que sempre esqueço disso. Aos poucos, a cidade começou a mostrar o charme. Escreveria a respeito até, mas imagens valém mais:

Paraense é povo esperto e gosta de política pra burro, mais que nós, me pareceu. Quando digo política me refiro ao sentido original, de ” preocupação com a vida pública “. Claro que candidatos e partidos também fazem parte das conversas, mas o enfoque, no geral, é o social.

E no geral, também, não me pareceram estar muito aí com Brasília ou com Brasil. Faz sentido, sendo o povo que promoveu a cabanagem. São orgulhosos do que têm e não pagam pau nem para São Paulo, nem para a Europa. Sorte a deles, pois pagar de pau consome uma energia desgraçada.

E achei engraçado o povo. Nas falas e modos. Encontrei muitos que dariam ótimos personagens de desenho. Tentei tirar fotos de vários, de longe, mas não tenho câmera super power com lente xyz e não rolou. E, as vezes que pedi pra tirar de perto, desconfiados, declinaram. Assim, numa tarde, decidi me sentar na Estação das Docas para desenhar o povo que por lá então passava. Eis o resultado:

Personagens do ParáUns personagens concebidos a partir do carismático povo paraense.

 A coisa que mais me deixou invejoso da vida dos belenenses, comparando-a a dos paulistanos: a relação com seus rios. A cidade é banhada por dois; o Guamá e o Acará, ambos utilizados como transporte e lazer. É outra vibe viver em um lugar em que o rio abraça a cidade abraça o rio.

Já havia estado em outras capitais em que as pessoas vivem o rio. Mas esta foi a primeira em que, navegando o dito cujo, pude ver uma cidade grande recortanto o horizonte. Pensei, claro, em São Paulo. E no Tietê e no Pinheiros. E sobre como, se quisermos viver melhor, precisamos limpar aquela merda. Claro que dá trabalho. Mas no geral é menos energia gasta do que passar uma vida desejando estar na Europa. A viagem continua  no próximo post, em breve…

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