São Paulo pelos Gringos em 1943

mar 25, 2014

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Categoria(s): Blog, Política, Texto, Video

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Quando criança eu não entendia o Zé Carioca.  Se quem fazia era a Disney, então como assim carioca ? Fui perguntar para o pai. Ele, me poupando dos pormenores, disse que tinha a ver com política. Fiz que manjei, para orgulhá-lo. Mas na real, segui sem entender o Zé.

Decênios depois, fui ler sobre o Getúlio, o Franklin ,esse caras, e reencontrei o Zé, e a Carmem também. Era outra, que já me havia intrigado, quando criança. Achava estranho uma brazuca de quitanda na cabeça, requebrando ao som de “música do tempo da avó “, em filme de Roliúde.

A razão da confusão não era pouca, pois ainda mais bizarra que a tal Carmem, era a explicação de tudo aquilo:

Na década de 1940, os americanos, com medo que a América do Sul caisse para o lado dos fascistas / nazistas, resolveram  nos fazer agrados, com gestos tipo Zé Carioca e Panchito. Era a tal da política da boa vizinhança:  um reconhecimento de nossa “exótica “cultura através da máquina geradora de cultura pop que são os EUA.

Mas tem um fruto dessa política que estava perdido por aí. Uma pérola, que veio à tona graças à internet (outra pérola) . Um documentário sobre a São Paulo de 1943. Se por um lado  os americanos cometem o papelão habitual em geografia ( chamam Bahia de cidade ), registram a história magistralmente.  Olha só:

Que cidade. Para mim, é impossível assistir ao vídeo sem me perguntar em que momento perdemos a mão… mas isso é tema para outro post. Do que falava mesmo ? Ah, sim. Do Zé.

Agora que sei da história, imagino o Roosevelt falando para o Disney: ” Walt! Vai lá e faz um desenho  “. E ele veio. E de tudo que viu e ouviu, o que mais lhe marcou foi nossa preguiça, coisa que meu pai dizia ser “o pecado capital do brasileiro “.

Hoje entendo o pai. Hoje entendo o Zé.

L

Dedicado a Silvana Zaidan Russo França

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